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Por Tânia Caçador   
27 de agosto de 2007

                                                                                                                            

                                               Foto extraída de http://www.agorams.com.br/imagens/fotos/109239.jpg

Quando vamos a um espetáculo teatral, esperamos encontrar algo que nos emocione, que nos questione ou que simplesmente nos faça rir. Algo que mexa com as nossas emoções. E lá, para representar a idéia do autor, estão os atores, cada qual com o seu papel. Quando bons atores e bem dirigidos, com seus gestos, olhares, falas,  transmitem toda a emoção que há no texto.

Mas essas técnicas são próprias do teatro. Quando invadem a esfera pública, a coisa muda de figura. E quando se tem por cenário o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e, por atores, ministros, a coisa muda de figura.

Dá para se pensar em um ministro lendo determinado trecho do processo, usando uma determinada entonação, para se conseguir sabe-se lá o quê? Pois foi o que aconteceu no dia 24 de agosto, quando os ministros estiveram reunidos para saber se aceitam, ou não, a denúncia oferecida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

O procurador argumentava que existem fortes indícios de formação de um esquema político-financeiro-publicitário organizado no Estado, o escandaloso Mensalão, com o objetivo de manter e fortalecer as estruturas dos atuais ocupantes do poder. Os advogados de defesa dos envolvidos tentavam desqualificar as acusações. E “os ministros Carlos Britto e Gilmar Mendes, sentados lado a lado, entretinham-se em um cochicho delicioso, entremeado de contidas gargalhadas”, como afirmam Ricardo Brito e André Petry, no artigo “O julgamento do mensalão”, publicado no último dia 26 de agosto.

Segundo avaliação desse mesmos repórteres, esse é  o mais importante julgamento da história do STF, desde que o país voltou à democracia, em 1985.

Por sua vez, a articulista Dora Kramer diz que “o posicionamento do STF não resolve as questões, não assegura uma viravolta nos procedimentos de elogio à impunidade, mas ajuda a sociedade a enxergar uma luz, porque põe no cenário, onde só se enxergava o perdão, a despeito das evidências, a figura do castigo em seguida ao crime”. E termina dizendo que “o caminho é longo, mas está aberto.”

Com toda essa carga de esperança num Judiciário realmente defensor da democracia, independente, transparente, convém aos seus membros a postura de atores, mas de atores de um novo tempo.

 

 

 

 

 

Última Atualização ( 30 de agosto de 2007 )
 
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